21 de julho de 2016


A dependência do homem - bem como de todos os outros seres vivos -  pela eletricidade sempre existiu, pois não há vida terrestre sem eletricidade, dado que todas as células dependem do seu potencial bioelétrico para funcionarem. No entanto, nos dias que correm, o ser humano tem vindo a assumir uma estreita relação de dependência com a eletricidade a outro nível. Mesmo não considerando a bioeletricidade intrínseca ao homem, é difícil imaginar a vida na ausência de eletricidade.

Assim, estando esta carga ordenada de partículas carregadas constantemente presente na nossa vida - quer nos objetos do quotidiano, quer na rede elétrica - torna-se relevante analisar se tem algum efeito nefasto na saúde pública. Nessa sequência, efectuou-se inúmeras medições dos valores dos campos magnético e elétrico, que são campos indissociáveis associados à corrente elétrica.

Através dos resultados obtidos verificou-se que, de um modo geral, os valores mais elevados dos CEM estão presentes em objetos do quotidiano - nomeadamente o esmeril, máquina de soldar e bobina de indução - e não nos aparelhos da rede elétrica principal, contrariamente àquilo que a maioria absoluta respondeu na questão número quatro do nosso inquérito. Como é possível constatar, nenhum aparelho da rede elétrica excedeu os limites de referência.

Os limites de referência foram apenas excedidos no que toca ao campo magnético, em alguns objetos do quotidiano. Alguns dos valores dos campos elétricos aproximaram-se do limite de referência, perfazendo, no máximo, 35.7% do mesmo, no caso do Posto de Transformação dos Zimbreiros para 300Hz à distância de 0m. Os valores ultrapassados referentes ao campo magnético foram:

Para 50Hz
Limite de referência: 1.000G
  • Esmeril: 3.766G
  • Bobina de indução: 1.974G
  • Máquina de Soldar: 1.751G
Além destes objetos, também o microondas TEKA apresentou, na zona traseira, valores do campo magnético que ultrapassaram os limites de referência. No entanto, dado que o projeto MEDEA incide sobre a medição dos CEM no contexto do quotidiano, decidiu-se não destacar esta situação como uma ultrapassagem dos limites tabelados, uma vez que estes valores são bastante inferiores na zona frontal, mesmo próximo da porta do microondas, conforme foi explicado aqui. 

Atendendo também à influência da distância nos CEM, conclui-se que não há motivo para alarme nestas três situações em que se verificou valores mais elevados do mesmo pois o crânio - que é a região mais sensível a estes campos - encontra-se quase sempre a uma certa distância que considerou-se suficiente para que seja mantida a segurança. Além disso, estes três objetos não são objetos que acompanham um cidadão comum diariamente, mas apenas esporadicamente. 

Outro aspeto a ter em conta é que a ultrapassagem dos limites de referência não implica necessariamente que hajam efeitos nefastos para a saúde pública. Estabelecer um valor exato a partir do qual possam haver esses efeitos é praticamente impossível pois depende da natureza de cada organismo, do tempo de exposição, entre outros fatores. Portanto, no que toca à legislação, a tendência óbvia é estabelecer valores inferiores, provavelmente em algumas ordens de grandeza, àqueles que são realmente perigosos.

Globalmente, não se verificou em qualquer altura do projeto nenhum valor preocupante no que toca aos campos magnéticos e elétricos de muito baixa frequência. No entanto, uma das limitações do projeto MEDEA é o facto de se cingir, precisamente, às baixas frequências (0-300Hz). Não se pode afirmar, com qualquer tipo de certeza, acerca da segurança em conviver com estes objetos e aparelhos noutras gamas de frequência mais elevadas, pois não foram efectuadas medições nesse sentido e é possível que os valores sejam consideráveis pois alguns aparelhos podem não operar apenas com eletricidade a muito baixas frequências. 

Avaliação global dos dados adquiridos

20 de julho de 2016

Na sequência do programa televisivo Geração +, transmitido na RTP Madeira a 10 de Julho de 2016, um dos membros d' Os Medearitos, o João Abreu, foi alvo de uma entrevista na qual fez uma pequena divulgação do projeto MEDEA.

Este programa pretende dar a conhecer as diversas escolas secundárias e profissionais da Região Autónoma da Madeira. Em cada episódio, gravado numa escola diferente, é abordado um tema de fundo, como base de discussão, com reportagens sobre o espaço físico, os clubes e os projetos ali existentes, as quais são intercaladas com entrevistas e debates alusivos ao tema tratado - tecnologia, cultura, sociologia - assente nas problemáticas atuais e vivenciadas por cada estabelecimento de ensino.



Fonte: http://www.rtp.pt/play/p2354/geracao


Divulgação do projeto na RTP Madeira

1 de junho de 2016

As medições efectuadas desde a receção do aparelho até à sua devolução podem ser encontradas, detalhadamente, aqui.

Nesta publicação estão apresentados, de uma forma sintetizada, todos os valores obtidos em relativamente ao campo magnético e ao campo elétrico, sendo evidente a comparação entre os aparelhos do quotidiano e alguns elementos característicos de uma rede elétrica (por exemplo postes de alta tensão, transformadores, etc).






Em termos numéricos, estes são os valores obtidos:


As conclusões em relação às medições obtidas estão apresentadas aqui.

Síntese das medições dos CEM

28 de maio de 2016



No dia 4 de Maio de 2016, entre as 19h e as 20h, efectuaram-se medições dos campos eléctrico e magnético produzidos por 4 aparelhos comuns da sala de estar: rádio TENSAI INTERNATIONAL compo-80A, televisão de tubo LG, telemóvel LG e computador Toshiba.

Estes aparelhos em questão, todos eles servem para as pessoas estarem actualizadas sobre os casos que preocupam o nosso país e o mundo em geral, e também servem para comunicar com colegas, família e amigos de infância. Todos estes aparelhos dependem da corrente eléctrica para funcionar, embora o computador e o telemóvel, como apresentam uma fonte interna de energia, não necessitam de estar permanentemente ligados a corrente eléctrica para funcionarem.

Assim sendo, decidimos medir os CEM destes aparelhos do quotidiano e verificar se excedem ou não os limites de referência.

Os resultados apresentados abaixo resultam de uma média aritmética simples entre os valores obtidos nos 3 ensaios nas mesmas condições. O medidor dos CEM foi colocado o mais próximo possível do foco destes campos.

-Campo elétrico


-Campo magnético

Imagem: João Abreu

Os campos magnético e elétrico na sala de estar


Os postos de transformação são instalações onde se procede à transformação da energia eléctrica de média tensão para baixa tensão, alimentando a rede de distribuição de baixa tensão.

Um posto de transformação é constituído essencialmente pelos seguintes componentes:
• Equipamentos de interrupção/seccionamento e protecção;
• Quadro geral de baixa tensão.

Os postos de transformação podem ser basicamente de dois tipos:
• Aéreos: no caso dos postos de transformação ligados na rede aérea em média tensão, sendo o transformador instalado num apoio da linha de distribuição média tensão e o quadro geral de baixa tensão na base desse apoio, num armário dimensionado para o efeito.
• Em cabine: no caso de todo o equipamento estar instalado dentro de uma cabine que pode assumir uma das seguintes variantes:

  • Cabine alta (torre);
  • Cabine baixa em edifício próprio;
  • Cabine baixa integrada em edifício;
  • Cabine metálica (monobloco);
  • Cabine pré-fabricada;
  • Cabine subterrânea.

As medições referentes a este poste de transformação foram efetuadas no dia 4 de Maio de 2016 pelas 16:00h no sítio Zimbreiros, freguesia da Tabua, no concelho da Ribeira Brava.

As tabelas abaixo sintetizam os resultados obtidos. Cada valor apresentado é o valor mais provável, que resulta de uma média aritmética simples entre os valores obtidos nos 3 ensaios que foram feitos.

-Campo elétrico

-Campo magnético

Fonte: http://www.museucasadaluz.com/pt/conteudo/sistema-el%C3%A9trico/distribui%C3%A7%C3%A3o/postos-de-transforma%C3%A7%C3%A3o/

Posto de transformação dos Zimbreiros

27 de maio de 2016



O esmeril é um aparelho utilizado, industrialmente e domesticamente, com o objetivo de aguçar (amolar) objetos metálicos, nomeadamente facas.

No dia 10 de maio de 2016 efectuou-se a medição dos CEM de que é responsável este aparelho. Estes foram os resultados obtidos:



Conclui-se que os valores de referência para o campo magnético são ultrapassados para a frequência de 50 Hz e de 150 Hz.

Imagem: Luís Pereira

Os campos elétrico e magnético num esmeril

10 de maio de 2016


Na sequência das medições relativas aos objetos da cozinha, dado que o microondas ultrapassou alguns dos limites de referência, optou-se por medir os CEM noutros dois microondas de outras marcas. 

Recapitulando, estes foram os valores obtidos para o microondas Woulinex a 15 de abril de 2016 entre as 18h e as 19h:





No dia 3 de maio de 2016 pelas 20h00 efectuaram-se medições dos referidos campos associados ao funcionamento de um microondas da marca Samsung.


 Estes foram os resultados obtidos:





Por sua vez, no dia 10 de maio de 2016 pelas 18h30 procedeu-se, então, à obtenção de valores para um outro microondas, da marca TEKA. No entanto, para além da comum medição nas zonas visíveis deste eletrodoméstico, decidiu-se, também fazer a medição na região traseira que geralmente não se encontra diretamente dirigida aos seus utilizadores no quotidiano.


Estes foram os resultados obtidos:



A análise à tabela sobrejacente permite-nos constatar que o aparelho medido apresenta um campo magnético, cuja intensidade ultrapassa os valores de referência, tanto para uma frequência de 50 Hz como para uma de 150 Hz na região traseira. 



Sintetizando os resultados:


Como é possível observar, apenas os valores dos campos magnéticos excederam, em alguns casos, o limite de referência. Comparando os valores do aparelho da marca TEKA, na zona frontal os valores são, regra geral, inferiores aos da zona traseira.

No entanto, é de notar que todos os valores, quer tenham sido obtidos na zona traseira quer na zona frontal do eletrodoméstico, correspondem a uma posição muito próxima do mesmo. No nosso quotidiano, não estamos, geralmente, tão próximos, pelo que, atendendo à influência da distância nos CEM podemos concluir que os valores a que estamos habitualmente expostos são dentro dos limites de referência.

Imagens: João Abreu; André Andrade

Comparação entre vários microondas

4 de maio de 2016


Na sequência do estudo da variação dos campos magnético e elétrico atendendo à distância, no dia 4 de maio de 2016 procedeu-se medição dos CEM a 4 distâncias distintas: 0,00m; 0,10m; 0,20m e 0,30m. 

O aparelho eleito para estas medições foi uma bomba de vácuo CIMA, de potência 0.12kW. Foram efectuados 3 ensaios para cada valor frequência tanto para o campo magnético como para o campo elétrico. Os valores obtidos foram:

Campo Magnético:

Campo Elétrico:

Em termos gráficos, os resultados apresentam-se do seguinte modo:


Como é possível observar, em todos os casos, a intensidade dos CEM é tanto menor quanto maior é a distância em relação ao emissor. 

Nos dois gráficos do campo magnético para 50Hz e 150Hz observa-se claramente uma redução aproximadamente exponencial. 

No caso do campo magnético para 300Hz, observou-se que os valores foram muito baixos e o medidor registou valores nulos a partir dos 0,10m. 

Imagem: João Abreu

Influência da distância nos CEM

15 de abril de 2016



No dia 15 de Abril de 2016, entre as 18h e as 19h, efectuaram-se medições dos campos magnético e elétrico produzidos por 4 aparelhos comuns de uma cozinha: microondas, placa de indução, exaustor e frigorífico. Todos estes aparelhos dependem da corrente eléctrica para funcionar, e estando estes presentes todos os dias na nossa vida, é de elevada relevância concluir sobre os CEM e verificar se excedem, ou, não os limites de referência.

Os resultados apresentados abaixo resultam de uma média aritmética simples entre os valores obtidos nos 3 ensaios nas mesmas condições. O medidor dos CEM foi colocado o mais próximo possível do foco destes campos. 




Em termos gráficos, temos:


A partir da análise dos dados acima apresentados, pode-se observar uma ultrapassagem do limite de referência do campo magnético tanto para f=150Hz como para f=300Hz. Ainda em relação ao campo magnético, quando f=50Hz o valor obtido não atinge o limite de referência mas perfaz 75.8% do mesmo. Quanto ao campo elétrico, os valores obtidos encontram-me largamente dentro dos limites de referência, tendo sido atingido, no máximo 7,4% do limite (frigorífico, f=50Hz).

Imagem: João Abreu

Os campos magnético e elétrico na cozinha

14 de abril de 2016


No dia 14 de Abril de 2016, procedeu-se à medição do campo elétrico e do campo magnético produzidos por um gerador de alta tensão em funcionamento, denominado  Bobina de Ruhmkorff ou Bobina de Indução.

A primeira bobina de indução foi inventada em 1836 por Nicholas Callan (1799-1864) e permite obter alta tensão alternada a partir de baixa tensão contínua. O princípio básico de funcionamento da bobina corresponde a um eletroíman com um sistema de bobinagem (enrolamento) - um primário e um secundário - nas extremidades do núcleo de ferro em forma de "U". O circuito primário é interrompido (de modo a obter a tensão alternada pretendida) por um repetidor mecânico. 

Apesar de não ter inventado a bobina de indução, Heinrich Daniel Ruhmkorff (1803-1877) é frequentemente associado a este equipamento pois conseguiu, como sucesso, montar todos os elementos da bobina.

As medições dos CEM efectuadas apresentam-se abaixo. Cada valor obtido apresentado corresponde a uma média aritmética simples entre os valores dos 3 ensaios efectuados nas mesmas condições:



Como é possível observar, o limite de referência é largamente ultrapassado relativamente a f=50Hz, obtendo-se B=1914mG, o que corresponde a uma ultrapassagem na ordem dos 91.4 pontos percentuais.


Bobina de indução de Ruhmkorff

9 de abril de 2016

O Prof.º António Pereira foi um dos inquiridos

No dia 14 de março de 2016, Os Medaritos andaram pelas ruas da vila da Ribeira Brava com o intuito de obter respostas, do ponto de vista de alguns cidadãos, a questões relacionadas com a eletricidade e os possíveis riscos para a saúde pública provocados pelos campos elétricos e magnéticos.

Foram, essencialmente, 6 as perguntas colocadas:


1. Considera que é possível a vida na ausência de eletricidade?
2. Acha que à presença de correntes elétricas está sempre associada a emissão de radiações?
3. Essas radiações emitidas pela corrente elétrica podem interagir com os seres vivos?
4. Na sua opinião, a radiação emitida pelos cabos de alta tensão é mais prejudicial do que a emitida pelos aparelhos do quotidiano (ex.: computador, frigorífico, secador de cabelo, televisão, etc)?
5. Vive ou conhece alguém que viva nas imediações de um poste de alta tensão?
6. Acha que habitar na proximidades de tais postes de alta tensão pode levar ao aparecimento de doenças oncológicas?

As respostas de alguns dos inquiridos encontram-se no vídeo seguinte:



Na sequência da investigação relativa à opinião dos populares sobre aos efeitos dos CEM na saúde pública, decidiu-se aumentar a população em estudo distribuindo, por uma população de 166 alunos do ensino secundário dos cursos científico-humanísticos da Escola Básica e Secundária Padre Manuel Álvares, um inquérito que consistia nas mesmas 6 questões que foram enumeradas anteriormente.

Seguem-se as estatísticas obtidas como resultado da análise deste inquérito: 

Relativamente à primeira questão, verifica-se um bom equilíbrio entre as respostas afirmativas e as negativas. Apesar de ser uma pergunta muito vasta, que pode levantar algumas dúvidas, aquando da sua formulação, o grupo pretendia que se refletisse não apenas sobre a eletricidade que se paga na factura da luz, mas também sobre a eletricidade intrínseca aos animais, em particular ao ser humano, nomeadamente a associada ao sistema nervoso e ao cérebro. Seguindo esta linha de pensamento, seria impossível haver animais, pelo menos com a fisionomia que conhecemos. No entanto, além dos animais, todas as células dependem  do seu potencial bioelétrico para o metabolismo(1). Assim, a resposta que se considerou como correta é "Não". 





Entende-se "corrente elétrica" como o fluxo das cargas de condução dentro de um material. Consequentemente, associada a este fluxo de cargas, está sempre associada a emissão de radiações eletromagnéticas(2). As estatísticas revelam que 36% dos inquiridos não sabem a resposta a esta questão e 20% responde incorretamente "Não". 



Nesta terceira questão obteve-se uma maioria absoluta de 80% a responder "Sim", e apenas 5% dos inquiridos respondeu "Não". Os restantes 15% respondeu "Não sei". 
O facto é que, se a intensidade e a tensão da corrente elétrica forem suficientemente elevadas, a exposição a estes campos electromagnéticos - numa distância suficientemente diminuta - pode provocar efeitos adversos na saúde pública(3). Por este motivo, a resposta correta é "Sim".






Aquando da construção deste inquérito, o grupo não pode, ainda, pronunciar-se relativamente àquela que é, efetivamente, a resposta mais acertada. Tal justifica-se pois o processo de medição dos CEM ainda não está concluído. No entanto, a resposta será apresentada aqui.





Na 5ª questão colocada verifica-se que viver nas imediações de um poste de alta tensão é algo relativamente "vulgar" e do conhecimento dos inquiridos pois 42% destes responderam afirmativamente a esta questão.


Esta foi, sem prejuízo das restantes 5 questões, a questão "cerne" do inquérito. As estatísticas obtidas revelam que 88% dos inquiridos responderam "Não sei" ou "Sim". Ou seja, 88% da população em estudo não tem uma ideia correta ou simplesmente desconhece a resposta em relação ao assunto a que a mesma se refere. Conforme foi explicado no nosso blog na publicação relativa à contextualização histórica, não há, até à data, qualquer evidencia científica que suporte que haja uma ligação entre habitar junto a postes de alta tensão e o aparecimento de doenças oncológicas, porém, também não é possível obter uma resposta definitiva pois estabelecer a demonstração científica dessa inexistência é um contra-senso lógico e uma impossibilidade científica.



Em conclusão, verificou-se - atendendo não só ao inquérito em papel como também ao inquérito oral apresentado no vídeo - um elevado desconhecimento da população em relação ao tema no qual se insere. Acentua-se, com mais intensidade agora, a elevada relevância que tem o projeto MEDEA no auxílio do desmantelamento das ideias erradas da população. Cabe-nos a nós, agora, desenvolver esforços no sentido de transmitir informação cientificamente credível com o intuito de eliminar esses preconceitos generalizados. 

Imagem: João Abreu
Fontes:
VILLATE, Jaime. Eletricidade e Magnetismo. 2009

Inquérito sobre os efeitos dos CEM de baixa frequência

8 de abril de 2016


No dia 8 de abril de 2016, procedeu-se à medição dos campos magnético e elétrico emitidos por uma máquina de soldadura de arco. As medições foram efectuadas para as 3 intensidades de corrente que a máquina dispõe: 50 A, 90 A e 140 A, a uma distância inferior a 5 cm da mesma. Todos os valores registados correspondem aos instantes em que, efetivamente, a máquina estava a soldar uma peça metálica. 

Estes são os valores mais prováveis, resultantes de uma média aritmética simples entre os valores dos 3 ensaios efectuados nas mesmas condições:


Em termos gráficos, os resultados apresentam-se do seguinte modo:


Regra geral, observa-se que o campo magnético e o campo elétrico são tanto maiores quanto maior for a intensidade da corrente selecionada no aparelho.

Como é possível constatar através da análise do gráfico do campo magnético em simultâneo com a tabela dos valores obtidos para 50Hz, o valor máximo obtido (para I=140 A) ultrapassa o limite de referência em cerca de 71%. Analisando, ainda, o campo magnético, para f=150Hz, o valor máximo (para I=140 A) não atinge o limite tabelado de 0.333G mas perfaz 99.4% do mesmo, ou seja, está muito próximo do limite.

Imagem: João Abreu

Máquina de soldadura em arco

31 de março de 2016

Na manhã do dia 31 de março de 2016, Os Medearitos foram à central hidroelétrica da Serra de Água com o principal intuito de efectuar medições dos campos magnético e elétrico, e verificar se os valores obtidos se encontram dentro dos níveis de referência. 

Esta central foi inaugurada em 1953, sendo parte integrante da primeira fase dos aproveitamentos hidroagrícolas realizados na década de 50. Inicialmente funcionava como central de compensação, regulando parâmetros importantes tais como a frequência da rede elétrica da ilha. 

Atualmente essas funções passaram a ser realizadas por outra central e agora funciona como central hidroelética, contibuindo com a sua potência máxima nas horas de ponta e nos regimes hidraulicos de inverno.  

A central da Serra de Água fica situada na Ribeira da Achada, a 400 metros da sua confluência com a ribeira do Poço. A central utiliza águas do Paúl da Serra, captadas por um sistema de dois canais situados, aproximadamente, a uma altitude de 1000 metros.

O video seguinte mostra como foram feitas as medições a um gerador e a um transformador da central. O gerador (alternador) debita energia elétrica com uma tensão de 6.6kV que é encaminhada para o transformador. Por sua vez, este aumenta a tensão para 30kV.



Os resultados obtidos encontram-se sintetizados nas tabelas seguintes em que cada valor apresentado resulta de uma média aritmética simples, ou seja, é o valor mais provável.

-Gerador (P=3600kVA)


-Transformador (6.6kV - 30kV)

Como é possível verificar através da observação das duas tabelas, nenhum dos valores ultrapassou o limite de referência. O valor mais próximo do limite que obtivemos foi no caso do Transformador, na medição para 50Hz do campo magnético, que atingiu os 47.77 pontos percentuais do valor tabelado.

Central Hidroelétrica da Serra de Água

26 de março de 2016

No dia 26 de março de 2016, procedeu-se, durante a manhã, à medição dos campos elétrico e magnético junto a um poste de alta tensão (60kV) que está situado na freguesia do Campanário, pertencente ao concelho da Ribeira Brava. Este integra a rede elétrica que vai desde o Cabo Girão até à Ponte Vermelha. 

O seguinte vídeo mostra como foram efectuadas as medições dos CEM:



As tabelas abaixo sintetizam os resultados obtidos. Cada valor apresentado é o valor mais provável, que resulta de uma média aritmética simples entre os valores obtidos nos 3 ensaios que foram feitos.

-Campo magnético:

-Campo elétrico:


Como é possível observar nas tabelas, todos os resultados obtidos encontram-se dentro dos limites de referência. No entanto, é de notar que no caso do campo magnético, a 150 Hz, verifica-se que o valor máximo obtido (a 15m) perfaz 41.4% do limite tabelado de 333.3mG. 

Em relação à conclusão da variação dos CEM em função da distância, os resultados não foram ao encontro das previsões efectuadas no sentido de haver uma diminuição exponencial. Os gráficos seguintes ilustram essas irregularidades que não se conseguiu explicar:


Poste de alta tensão de Campanário

19 de março de 2016



No dia 19 de março de 2016 pelas 15h, foram efetuadas algumas medições dos campos magnético e elétrico de um poste de alta tensão (60kV) nas zonas altas da Ribeira Brava, mais precisamente na Candelária, freguesia da Tabua.

Este poste, em particular, apresenta um perfil menos alto do que o habitual pelo que se decidiu que seria de relevância a medição dos CEM na base do mesmo. Apresentam-se os resultados no quadro seguinte:



Imagem: João Abreu

Poste da alta tensão da Candelária

16 de março de 2016


O transformador de distribuição entra numa das últimas etapas do sistema de geração e distribuição de energia pública. A função fundamental é fornecer a potência correta para garantir o funcionamento normal dos equipamentos elétricos de edifícios, hospitais, pequenas e médias empresas, etc.


Estes possuem um alto nível de desempenho, confiabilidade e eficiência conseguindo emitir sons em intensidades muito reduzidas, muitas vezes imperceptíveis. Os transformadores de distribuição são utilizados em tensões primárias de até 34,5 kV, tensões secundárias de 11kV, 6.6 kV, 3.3 kV, 440V, 230V; em potências geralmente inferiores a 200MVA. 


No caso do transformador que foi alvo das nossas medições, por se destinar à distribuição de energia elétrica doméstica, este converte médias tensões (MT) em baixas tensões (BT), produzindo corrente elétrica com uma tensão de 230V. A conversão da média tensão em 230V ocorre com um rendimento baixo de apenas 50-70%.As medições foram efectuadas no dia 16 de março de 2016 pelas 17h na Fajã da Ribeira, freguesia da Ribeira Brava. As mesmas foram obtidas o mais próximo possível do transformador, ou seja, na base do poste. Estes foram os resultados obtidos:






Fonte: http://electrical-engineering-portal.com/difference-between-power-transformer-and-distribution-transformer
Imagens: João Abreu

Transformador de distribuição MT - BT

8 de março de 2016

De modo a proceder à recolha dos valores dos campos elétricos e magnéticos, e garantir uma elevada coerência entre os resultados obtidos de modo a possibilitar a posterior comparação entre os diversos objetos em estudo, é necessário atuar em conformidade com um procedimento geral.

Assim, abaixo segue-se um conjunto de etapas que devem ser seguidas aquando das medições:

1. Ligar o equipamento SPECTRAN NF-5010;
2. Pressionar a tecla CLR;
3. Pressionar a tecla 7 e selecionar o sensor pretendido: 
    3.1. Campo magnético: XY-Mag, YZ-Mag, ZX-Mag (1);
    3.2. Campo elétrico: E-Fld;
4. Ainda no menu, em "center", digitar a frequência para a qual se pretende medir os CEM (todas as medições devem incluir, pelo menos, as seguintes frequências: 50Hz, 150Hz e 300Hz);
5. Clicar na tecla menu de modo a voltar ao início. O dispositivo está pronto a medir os CEM.
6. Direcionar os eixos do sensor escolhido na direção que melhor se ajuste às linhas de campo imaginárias;
7. Fazer, pelo menos, 3 ensaios nas mesmas circunstâncias para cada cada frequência e para o campo magnético e o campo elétrico;
8. Registar os valores obtidos.

(1) Atendendo à imagem acima, é possível observar e concluir sobre a melhor opção a escolher tendo em conta as circunstâncias aquando da medição.

Procedimento Experimental

 
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