No dia 14 de Abril de 2016, procedeu-se à medição do campo elétrico e do campo magnético produzidos por um gerador de alta tensão em funcionamento, denominado Bobina de Ruhmkorff ou Bobina de Indução.
A primeira bobina de indução foi inventada em 1836 por Nicholas Callan (1799-1864) e permite obter alta tensão alternada a partir de baixa tensão contínua. O princípio básico de funcionamento da bobina corresponde a um eletroíman com um sistema de bobinagem (enrolamento) - um primário e um secundário - nas extremidades do núcleo de ferro em forma de "U". O circuito primário é interrompido (de modo a obter a tensão alternada pretendida) por um repetidor mecânico.
Apesar de não ter inventado a bobina de indução, Heinrich Daniel Ruhmkorff (1803-1877) é frequentemente associado a este equipamento pois conseguiu, como sucesso, montar todos os elementos da bobina.
As medições dos CEM efectuadas apresentam-se abaixo. Cada valor obtido apresentado corresponde a uma média aritmética simples entre os valores dos 3 ensaios efectuados nas mesmas condições:
Como é possível observar, o limite de referência é largamente ultrapassado relativamente a f=50Hz, obtendo-se B=1914mG, o que corresponde a uma ultrapassagem na ordem dos 91.4 pontos percentuais.
No dia 14 de março de 2016, Os Medaritos andaram pelas ruas da vila da Ribeira Brava com o intuito de obter respostas, do ponto de vista de alguns cidadãos, a questões relacionadas com a eletricidade e os possíveis riscos para a saúde pública provocados pelos campos elétricos e magnéticos.
Foram, essencialmente, 6 as perguntas colocadas:
1.Considera que é possível a vida na ausência de eletricidade?
2. Acha que à presença de correntes elétricas está sempre associada a emissão de radiações?
3. Essas radiações emitidas pela corrente elétrica podem interagir com os seres vivos?
4. Na sua opinião, a radiação emitida pelos cabos de alta tensão é mais prejudicial do que a emitida pelos aparelhos do quotidiano (ex.: computador, frigorífico, secador de cabelo, televisão, etc)?
5. Vive ou conhece alguém que viva nas imediações de um poste de alta tensão?
6. Acha que habitar na proximidades de tais postes de alta tensão pode levar ao aparecimento de doenças oncológicas?
As respostas de alguns dos inquiridos encontram-se no vídeo seguinte:
Na sequência da investigação relativa à opinião dos populares sobre aos efeitos dos CEM na saúde pública, decidiu-se aumentar a população em estudo distribuindo, por uma população de 166 alunos do ensino secundário dos cursos científico-humanísticos da Escola Básica e Secundária Padre Manuel Álvares, um inquérito que consistia nas mesmas 6 questões que foram enumeradas anteriormente.
Seguem-se as estatísticas obtidas como resultado da análise deste inquérito:
Relativamente à primeira questão, verifica-se um bom equilíbrio entre as respostas afirmativas e as negativas. Apesar de ser uma pergunta muito vasta, que pode levantar algumas dúvidas, aquando da sua formulação, o grupo pretendia que se refletisse não apenas sobre a eletricidade que se paga na factura da luz, mas também sobre a eletricidade intrínseca aos animais, em particular ao ser humano, nomeadamente a associada ao sistema nervoso e ao cérebro. Seguindo esta linha de pensamento, seria impossível haver animais, pelo menos com a fisionomia que conhecemos. No entanto, além dos animais, todas as células dependem do seu potencial bioelétrico para o metabolismo(1). Assim, a resposta que se considerou como correta é "Não".
Entende-se "corrente elétrica" como o fluxo das cargas de condução dentro de um material. Consequentemente, associada a este fluxo de cargas, está sempre associada a emissão de radiações eletromagnéticas(2). As estatísticas revelam que 36% dos inquiridos não sabem a resposta a esta questão e 20% responde incorretamente "Não".
Nesta terceira questão obteve-se uma maioria absoluta de 80% a responder "Sim", e apenas 5% dos inquiridos respondeu "Não". Os restantes 15% respondeu "Não sei".
O facto é que, se a intensidade e a tensão da corrente elétrica forem suficientemente elevadas, a exposição a estes campos electromagnéticos - numa distância suficientemente diminuta - pode provocar efeitos adversos na saúde pública(3). Por este motivo, a resposta correta é "Sim".
Aquando da construção deste inquérito, o grupo não pode, ainda, pronunciar-se relativamente àquela que é, efetivamente, a resposta mais acertada. Tal justifica-se pois o processo de medição dos CEM ainda não está concluído. No entanto, a resposta será apresentada aqui.
Na 5ª questão colocada verifica-se que viver nas imediações de um poste de alta tensão é algo relativamente "vulgar" e do conhecimento dos inquiridos pois 42% destes responderam afirmativamente a esta questão.
Esta foi, sem prejuízo das restantes 5 questões, a questão "cerne" do inquérito. As estatísticas obtidas revelam que 88% dos inquiridos responderam "Não sei" ou "Sim". Ou seja, 88% da população em estudo não tem uma ideia correta ou simplesmente desconhece a resposta em relação ao assunto a que a mesma se refere. Conforme foi explicado no nosso blog na publicação relativa à contextualização histórica, não há, até à data, qualquer evidencia científica que suporte que haja uma ligação entre habitar junto a postes de alta tensão e o aparecimento de doenças oncológicas, porém, também não é possível obter uma resposta definitiva pois estabelecer a demonstração científica dessa inexistência é um contra-senso lógico e uma impossibilidade científica.
Em conclusão, verificou-se - atendendo não só ao inquérito em papel como também ao inquérito oral apresentado no vídeo - um elevado desconhecimento da população em relação ao tema no qual se insere. Acentua-se, com mais intensidade agora, a elevada relevância que tem o projeto MEDEA no auxílio do desmantelamento das ideias erradas da população. Cabe-nos a nós, agora, desenvolver esforços no sentido de transmitir informação cientificamente credível com o intuito de eliminar esses preconceitos generalizados.
No dia 8 de abril de 2016, procedeu-se à medição dos campos magnético e elétrico emitidos por uma máquina de soldadura de arco. As medições foram efectuadas para as 3 intensidades de corrente que a máquina dispõe: 50 A, 90 A e 140 A, a uma distância inferior a 5 cm da mesma. Todos os valores registados correspondem aos instantes em que, efetivamente, a máquina estava a soldar uma peça metálica.
Estes são os valores mais prováveis, resultantes de uma média aritmética simples entre os valores dos 3 ensaios efectuados nas mesmas condições:
Em termos gráficos, os resultados apresentam-se do seguinte modo:
Regra geral, observa-se que o campo magnético e o campo elétrico são tanto maiores quanto maior for a intensidade da corrente selecionada no aparelho.
Como é possível constatar através da análise do gráfico do campo magnético em simultâneo com a tabela dos valores obtidos para 50Hz, o valor máximo obtido (para I=140 A) ultrapassa o limite de referência em cerca de 71%. Analisando, ainda, o campo magnético, para f=150Hz, o valor máximo (para I=140 A) não atinge o limite tabelado de 0.333G mas perfaz 99.4% do mesmo, ou seja, está muito próximo do limite.
Na manhã do dia 31 de março de 2016, Os Medearitos foram à central hidroelétrica da Serra de Água com o principal intuito de efectuar medições dos campos magnético e elétrico, e verificar se os valores obtidos se encontram dentro dos níveis de referência.
Esta central foi inaugurada em 1953, sendo parte integrante da primeira fase dos aproveitamentos hidroagrícolas realizados na década de 50. Inicialmente funcionava como central de compensação, regulando parâmetros importantes tais como a frequência da rede elétrica da ilha.
Atualmente essas funções passaram a ser realizadas por outra central e agora funciona como central hidroelética, contibuindo com a sua potência máxima nas horas de ponta e nos regimes hidraulicos de inverno.
A central da Serra de Água fica situada na Ribeira da Achada, a 400 metros da sua confluência com a ribeira do Poço. A central utiliza águas do Paúl da Serra, captadas por um sistema de dois canais situados, aproximadamente, a uma altitude de 1000 metros.
O video seguinte mostra como foram feitas as medições a um gerador e a um transformador da central. O gerador (alternador) debita energia elétrica com uma tensão de 6.6kV que é encaminhada para o transformador. Por sua vez, este aumenta a tensão para 30kV.
Os resultados obtidos encontram-se sintetizados nas tabelas seguintes em que cada valor apresentado resulta de uma média aritmética simples, ou seja, é o valor mais provável.
-Gerador (P=3600kVA)
-Transformador (6.6kV - 30kV)
Como é possível verificar através da observação das duas tabelas, nenhum dos valores ultrapassou o limite de referência. O valor mais próximo do limite que obtivemos foi no caso do Transformador, na medição para 50Hz do campo magnético, que atingiu os 47.77 pontos percentuais do valor tabelado.
No dia 26 de março de 2016, procedeu-se, durante a manhã, à medição dos campos elétrico e magnético junto a um poste de alta tensão (60kV) que está situado na freguesia do Campanário, pertencente ao concelho da Ribeira Brava. Este integra a rede elétrica que vai desde o Cabo Girão até à Ponte Vermelha.
O seguinte vídeo mostra como foram efectuadas as medições dos CEM:
As tabelas abaixo sintetizam os resultados obtidos. Cada valor apresentado é o valor mais provável, que resulta de uma média aritmética simples entre os valores obtidos nos 3 ensaios que foram feitos.
-Campo magnético:
-Campo elétrico:
Como é possível observar nas tabelas, todos os resultados obtidos encontram-se dentro dos limites de referência. No entanto, é de notar que no caso do campo magnético, a 150 Hz, verifica-se que o valor máximo obtido (a 15m) perfaz 41.4% do limite tabelado de 333.3mG.
Em relação à conclusão da variação dos CEM em função da distância, os resultados não foram ao encontro das previsões efectuadas no sentido de haver uma diminuição exponencial. Os gráficos seguintes ilustram essas irregularidades que não se conseguiu explicar:
No dia 19 de março de 2016 pelas 15h, foram efetuadas algumas medições dos campos magnético e elétrico de um poste de alta tensão (60kV) nas zonas altas da Ribeira Brava, mais precisamente na Candelária, freguesia da Tabua.
Este poste, em particular, apresenta um perfil menos alto do que o habitual pelo que se decidiu que seria de relevância a medição dos CEM na base do mesmo. Apresentam-se os resultados no quadro seguinte:
O transformador de distribuição entra numa das últimas etapas do sistema de geração e distribuição de energia pública. A função fundamental é fornecer a potência correta para garantir o funcionamento normal dos equipamentos elétricos de edifícios, hospitais, pequenas e médias empresas, etc. Estes possuem um alto nível de desempenho, confiabilidade e eficiência conseguindo emitir sons em intensidades muito reduzidas, muitas vezes imperceptíveis. Os transformadores de distribuição são utilizados em tensões primárias de até 34,5 kV, tensões secundárias de 11kV, 6.6 kV, 3.3 kV, 440V, 230V; em potências geralmente inferiores a 200MVA. No caso do transformador que foi alvo das nossas medições, por se destinar à distribuição de energia elétrica doméstica, este converte médias tensões (MT) em baixas tensões (BT), produzindo corrente elétrica com uma tensão de 230V. A conversão da média tensão em 230V ocorre com um rendimento baixo de apenas 50-70%.As medições foram efectuadas no dia 16 de março de 2016 pelas 17h na Fajã da Ribeira, freguesia da Ribeira Brava. As mesmas foram obtidas o mais próximo possível do transformador, ou seja, na base do poste. Estes foram os resultados obtidos:
De modo a proceder à recolha dos valores dos campos elétricos e magnéticos, e garantir uma elevada coerência entre os resultados obtidos de modo a possibilitar a posterior comparação entre os diversos objetos em estudo, é necessário atuar em conformidade com um procedimento geral.
Assim, abaixo segue-se um conjunto de etapas que devem ser seguidas aquando das medições:
1. Ligar o equipamento SPECTRAN NF-5010;
2. Pressionar a tecla CLR;
3. Pressionar a tecla 7 e selecionar o sensor pretendido:
3.1. Campo magnético: XY-Mag, YZ-Mag, ZX-Mag (1);
3.2. Campo elétrico: E-Fld;
4. Ainda no menu, em "center", digitar a frequência para a qual se pretende medir os CEM (todas as medições devem incluir, pelo menos, as seguintes frequências: 50Hz, 150Hz e 300Hz);
5. Clicar na tecla menu de modo a voltar ao início. O dispositivo está pronto a medir os CEM. 6. Direcionar os eixos do sensor escolhido na direção que melhor se ajuste às linhas de campo imaginárias; 7. Fazer, pelo menos, 3 ensaios nas mesmas circunstâncias para cada cada frequência e para o campo magnético e o campo elétrico; 8. Registar os valores obtidos.
(1) Atendendo à imagem acima, é possível observar e concluir sobre a melhor opção a escolher tendo em conta as circunstâncias aquando da medição.
De modo a proceder à medição de espectros eletromagnéticos, recorreremos ao SPECTRAN NF-5010 cedido a título de empréstimo pela SPF-REN, durante o período de 1 de Março de 2016 a 9 de Maio do mesmo ano.
As primeiras versões deste equipamento surgiram pela primeira vez em 2004 como um produto da recém fundada empresa Alemã Aaronia (2003) com sede em Euscheid na região de Eifel. Atualmente, este modelo de equipamento foi descontinuado mas a sua versão sucessora, SPECTRAN NF-5030, está catalogada no site da fabricante com um valor de revenda de 999.95€, sem incluir os custos de envio. A nova versão difere da posterior essencialmente por possuir um maior alcance e uma nova opção de 30MHz.
Em relação ao SPECTRAM NF-5010, destacam-se as seguintes especificações técnicas:
Frequência de alcance: 1Hz to 1MHz
Campo magnético (Tesla): 1nT até 500µT
Campo magnético (Gauss): 0nG até 5G
Campo elétrico: 1V/m até 5kV/m
Unidades: V, V/m, T, G, A/m
Interface: USB 2.0
Massa: 420g
Garantia: 10 anos
Em 2009, a revista especializada Elektronik premiou o sensor isotrópico de campos magnéticos Aaronia REAL 3D (isotropen) como "Produto do Ano" na categoria "componentes passivos". Este componente faz parte de todos os SPECTRAN NF.
Entre os imensos clientes deste empresa, pode-se destacar a presença de algumas instituições/empresas muito conceituadas como a NASA, Boeing, Philips, BMW e MIT - Plasma Science and Fusion Center.